domingo , 18 agosto 2019

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Negro

negrosO Movimento Negro do Partido Democrático Trabalhista do Ceará (PDT-CE) surgiu com a criação da Secretaria Regional do Movimento Negro, fundada pelo paraense Ivaldo Paixão, atual presidente do movimento nacional e estadual, com a iniciativa do então governador Leonel Brizola, do senador Abdias Nascimento e da companheira Drª. Edialeda Salgado Nascimento, após reunião em torno de assuntos dos Movimentos Sociais do PDT, realizada no Rio de Janeiro.

A participação do presidente do partido na época, professor Flávio Torres, e dos vereadores Heitor Férrer e Iraguassú Teixeira foram essenciais para a implementação do movimento no Estado a partir de uma assembleia de fundação e posse da Direção Estadual com eleição de Ivaldo Paixão – capitão de longo curso da Marinha Mercante, pesquisador e escritor sobre a questão racial – para presidente e da militante Rocilda Laurindo como presidente de honra.

A atuação do Movimento Negro do PDT-CE se dá por meio da promoção da igualdade racial com militância nos diversos segmentos sociais e através de interferências diretas nas conferências municipais, Estaduais e nacionais. Dentre as principais campanhas realizadas desde sua criação, destacam-se o resgate histórico e cultural da população escrava pela titulação das diversas comunidades quilombolas do Estado e pelo reconhecimento do Ceará como primeiro território nacional a abolir a escravatura, antes da promulgação da Lei Áurea, em 1884, e da atual cidade de Redenção como a primeira província do Brasil a abolir a escravidão, em 1883. Também conquistou maior visibilidade sobre o tema com a criação do Museu Senzala do Negro Liberto, inaugurado no município de Redenção, em 2003, e a participação em diversas palestras e seminários que debateram, dentre outros temas, a influência negra na cultura brasileira e a inclusão social por meio do trabalho e da educação.

Além disto, o atual líder do movimento regional atuou como delegado do 1º Orçamento Participativo da Prefeitura de Fortaleza, em 2005, e reivindicou a implementação da Lei Federal 10.639/2003, que obriga o ensino da história africana em escolas públicas e particulares, no Estado e demais municípios por meio da destinação de verbas para compra de materiais didáticos específicos e contratação de professores.

O Movimento Negro do PDT-CE incentivou a manifestação das raízes afro-brasileiras com a criação do bloco de afoxé, Acabaca, em 2006, que venceu o carnaval de Fortaleza em 2010. O movimento estadual marca ainda sua participação na comemoração do Fortaleza Liberta, evento criado em 2009 que comemora no dia 24 de maio as datas mais significativas da história de Fortaleza com o objetivo de combater o preconceito por meio da informação e da valorização sócio-cultural.

O Movimento Negro do Ceará também elaborou propostas no sentido de criar uma secretaria de políticas específicas para promover a igualdade racial, o que resultou na criação recente da primeira Coordenadoria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial do Estado, órgão diretamente ligado ao governador Cid Gomes (PSB) tendo também como gestor Ivaldo Paixão, que, antes mesmo a posse, representou o PDT-CE na inauguração da primeira Universidade Luso-Afro-Brasileira em maio deste ano.

Movimento Nacional

O PDT destacou-se dos demais partidos de esquerda por combater pioneiramente o racismo e a discriminação à população afro-descendente de forma particular, quando a luta de classes ainda era a principal bandeira dos esquerdistas.

Com o objetivo de fortalecer o partido no sentido de executar de forma efetiva as diretrizes estabelecidas na Carta de Lisboa, documento escrito em 1979 que deu origem ao PDT e marcou o fim do exílio para muitos ativistas políticos, foi criada a Secretaria Nacional do Movimento Negro, no Rio de Janeiro.

O PDT ampliou esse compromisso com o Estatuto do Partido ao considerar a causa das populações negras como parte fundamental para o estabelecimento da democracia e da justiça social, resgatando ainda a nacionalidade brasileira com o reconhecimento da contribuição da população negra para o avanço da economia e das riquezas do país, incentivando oportunidades de acesso a todos.

Com a oficialização do partido, há 3 décadas, os negros já estavam organizados nas regiões do Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo e Minas Gerais. A expansão para os demais Estados ocorreu após o II Congresso Nacional do Partido, em 1991, atingindo Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo, Ceará, Goiás, Acre, Piauí, Santa Catarina e Sergipe.

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